As lagrimas são tão frias... ou serei eu que as sinto dessa forma... A dor é tão intensa , o que é dor se não sinto mais nada... Serei eu o negativo da razão... o que é razão sem saber o que é certo... Quando penso e me obrigo a pensar, saberei eu interpretar ... Hoje foi mais um dia de tantos outros... só não sei se valeu a pena vivê-lo... As perguntas encaixam-se atormentando o respirar , mesmo sendo este tão fraco e sem força... ou é apenas a minha desistência por sorver o ar que me dá vida... não sei, estou sem respostas à minha própria duvida , eu própria ...
Vi as linhas do pensamento Ao som da chuva que ecoava lá fora Senti as horas da ansiedade Sem te poder falar E sobrevivi à angustia Após saber a tua duvida Sorri quando a morte passou... Ontem vivia, Carregava no peito a esperança De um amanha perfeito Sem questionar a perfeição... Estou exausta dessa batalha Aceito a negação Como se eu fosse o negativo da vida Porque a vida é vida Quando tu me fizeste viver novamente...
Simulamos o beijo nas palavras, onde a procura do gosto fez a delicia do pecado da gula... seria evidente o desfecho da imagem, um tempo perdido no tempo de um passado que deixou apenas o gosto dos porquês . Como seria se o tempo deixasse matar as horas de prazer que hoje torturam o sono, de um sono que não existe. Tão vaga a sequência exposta... mas cada instante proporciona o apelo pelo amanha, numa corrida de metas fictícias onde o propósito é inalterável... Saber lidar com a existência é aceitar mudo os erros do próprio viver... consentimos sóbrios os ciclos mundanos aplaudindo os sorrisos pérfidos. Somos fúteis transeuntes no caminho mais arcaico... a procura é em vão, as replicas da perfeição extinguiram-se e a palavra é vadia, usada em cada contexto conforme o cliente... Apetecia-me rasgar o português e escrever a essência das palavras com intensidade em cada letra... mas depois a frase seria explicita num contexto sem nexo onde eu acabaria no banco dos réus, julgada por profanar a mente que não me pertence... difícil resistir ao apelo de te sorver, pergunta após pergunta... faz cada pausa ser a resposta do que seria a resposta... e eu respondo no silêncio onde a voz só é audível se os olhos me lerem...
O epicentro de um estado louco Sem rosto... Vivido num intenso sabor da duvida Platónico, o sentido... Revestido pela insegurança De um dia conjugado no passado... Ficou a imagem De um desejo refugiado Envolto na chama tormentosa Da negação... de um talvez... Será o que o amanha nos dá, A incógnita...
Seria o frio a razão Medo... Qual a sensação do frio Emoção... Quem define incubação Nesta corrente interior, Como purificar um estado pútrido Penetrado no corpo Sem resposta Levando o ódio ao paladar... E o que sinto Se não sinto Espero... O peso das pálpebras Cerram a imagem distorcida Momento no negro familiar Efeito de passagem pela quietude de um sonho Onde o terror é impotente E a espera é uma dor prazerosa...
Angustia num desejo de amor Numa entrega por um tudo Onde a corda delineia o corpo como uma serpente Deliciando o orgasmo da presa Pelo sufoco de sentir Na pele a marca, na carne a dor No gosto, a palavra Escrevendo na pauta Notas para uma música De um estado apaixonado Sem som O veneno consome Alucinando o perfeito Do que ficou , do que será Ansiando o final Delírio... Amando ...
A caneta escorreu a tinta de tanto esperar para ser usada, acabou por secar, tal como a mente cansada que me veste. Talvez abandone o meu corpo, num sono hipnótico... e aí os meus distúrbios serão alimento da loucura, num momento lúcido, consentido... numa ausência aparente... não me entrego aos desígnios, apenas me permito. A página sem cor, aguarda, mas eu escrevo em detalhes no registo da memória cada episódio, um após o outro... verdadeiras sequências cravadas a ferro, onde a dor é carinho, porque me faz sentir, e nesse instante sou vida, produto humano gerado sem consentimento... Curioso como o conceito de vivência se pode julgar, quem é o réu neste julgamento, apetece-me processar quem decidiu algo sem me consultar... Quantos dias mais para a contagem de um final anunciado.
E... sempre um e em cada frase Separando o pensamento Pautando ideias sucessivas Neste controverso mundo lírico Que tanto me fascina Onde um e... Tem a força da muralha Ou do vento sem direcção, Um e que me pára Mostrando o tempo entre cada tempo De um pensamento morto Feito no momento de pausa... E... revoltado sem coerência De um cansaço acumulado Absorve alucinado No meu próprio egoísmo... E ... assim fico Num bailado sem som Suspensa no acto de pensar... sustendo sem agir...
No corredor da mente Onde habitam os delírios Os gritos entoam turvando a visão Tudo faz sentido naquele corredor Onde os reflexos do pânico não tem dor Labirinto perfeito para tactear Rasgar com as mãos...
Estou cansada do enigma que sou De caminhar sem fim Por um trilho desenhado pelo lápis da memória Onde a borracha não apaga o tempo Sugando a minha existência... E se o meu grito for ouvido Será que tu ouves Sim tu... palavra que me acompanha Num aglomerado número de frases Compondo textos excêntricos Ignorando em redor Os olhos que furtam fragmentos meus...
Sou objecto de um texto Delirando envolta de sons Leio-me em poesia Manchando de negro a literatura Usurpando as palavras Violo o direito de querer E faço-o meu...
Meu...
Escrevendo com violência Rasuro alienada Tentando transcrever cada brado, Dividindo a loucura que me assola Na página deste dia...
Caminhando na neblina de um sonho, procuro a visão de uma saudade escondida... No peito a traição... uma dor chamada vida O abraço frio, guardado na eternidade da minha existência, alimenta a angustia de mais um dia, sem ouvir o eco do meu nome. De mãos dadas com o tempo, enfrento a razão das palavras... páginas repletas de textos de uma história sem fim, preenchem o vazio de um futuro... sem amanhã.
Entre espaços abertos, vazios... revestidos pela visão do nada, um estranho de nome sem som, furtou o nítido da imagem suposta. Momentos aqueles marcados num contexto invisual, de sabor tacteado a um gosto de esperança... Cruel sensação sorridente, marcada a sal numa tatuagem do tempo. Quantas vezes acordei sem nunca ter adormecido... É assim que da clausura te grito sem medo do eco, neste patamar sem chão que tantas vezes foi prancha para o salto da vida...
Assassinos perfeitos De silabas acentuadas Habitam na clausura No mais sóbrio Eu... Sinto o corpo sem força Entregue ao conflito De uma busca sem procura... Sem significado... Um caminho conduzido Na boleia do tempo Sem hora de regresso... Quem sou O que sou O que importa interrogar Se a resposta perpetuar O silêncio de uma morte...
Promessa escondida Feita do segredo impróprio Condenada Vivendo horas de mudança Desejando o Beijo O gosto do sangue Único... Da tua boca vou beber A vida do amanhã Pronuncio de uma morte No percurso do ontem Agora... neste presente Cravo no peito a dor Que um dia vivi...
Sorrisos apoteóticos Cegaram o meu negro silêncio Uma chuva psicadélica Sem efeitos nefastos Assombrou o céu Alucinando um público convicto...
O momento esperado Foi marcado por um ritmo decrescente Trauteado em sussurros Nos ecos de um interior Onde a explosão foi exposta Num delírio vocal...
Contemplar em redor Era ver o espelho de um só ser Apenas as cores se alteravam E foi nesse instante Que o cheiro destinguiu O que os olhos não vêm O abraço sem corpo Deixou a marca sentida Rasgando o meu sorriso Na euforia que me dá vida Onde cada etapa É a razão de sentir...